Eu sempre quis o parto normal. Combinado com a GO desde o começo, com analgesia. A não ser que fosse necessário de outro jeito.
E eu ficava perguntando pra toda mãe que eu conhecia como tinha sido na hora H! Minha grande dúvida era, como saberei que está na hora.
Elas me contavam suas experiências e, no fim apenas respondiam: "quando for a hora, você vai saber".
De fato. O que eu aprendi sobre partos foi aquela coisa de passar incontáveis horas esperando, com as contrações intermináveis.
E essa foi a experiência que eu realmente não tive. Nem imagino o que seja isso.
O dia dela foi exatamente 2 dias antes do previsto no ultrassom. Tive consulta nesse dia. Exame normal, sem nenhum sinal, nem nada. Recomendação da médica: Então pode ir, se sentir algo diferente me liga, se não, faça outro ultrassom daqui a 2 dias.
E fui pra casa sentindo tudo igual sempre. Isso foi logo depois do almoço. E continuei assim até umas 18:00 quando senti uma cólica bem forte. E não passava. Ficou mais forte (comecei a rezar pro marido chegar logo do trabalho). Disfarcei até onde pude, pois minha mãe estava em casa e ela é um pouco preocupada demais.
E aí o marido chegou. Falei pra ele num cantinho o que estava sentindo. Ele é calmo como eu, ligou pra médica e ela falou pra irmos ao hospital que ela também iria (detalhe que ela estava praticamente do outro lado da cidade, numa 5ª feira as 18:00).
O que eu senti? Bem, antes de sair de casa tive um sangramento pequeno (que ficou meio grande no carro! Ainda bem que levamos toalhas). No elevador, o marido pergunta: "você acha que dá pra aguentar normal?" E eu que queria taaanto o parto normal, respondi: "Só vou saber quando chegarmos lá".
No caminho eu nem sabia mais que eu era. Só me lembro de ter rezado o caminho inteiro e ainda consegui reparar que praticamente todos os faróis estavam verdes. E que eu realmente não estava a fim de ter bebê no carro.
Chegamos na maternidade umas 19:15.Quando desci do carro fui direto pra cadeira de rodas, eu não aguentava andar. O funcionário que me levou deve ter ficado tenso com a minha situação, pois lembro que ele cantava alguma coisa bem baixinho enquanto me levava para o andar. Acho que era para se acalmar, ou me acalmar, não sei bem!
Chegando lá, eu, o marido e minha mãe. Lembro que fiquei numa maca me contorcendo (sem gritaria, dá pra aguentar sim!), esperando a enfermeira tentar localizar minha médica e dizendo "esse bebê vai nascer logo, que bom!"
O marido e minha mãe foram resolver coisas burocráticas. E lembro-me também de ter visto duas grávidas na sala de espera, sentadas e perfumadas, aguardando suas cesáreas, provavelmente assustadas por me verem daquele jeito.
Não sei quanto tempo fiquei lá, mas sei que a médica pediu para o plantonista começar o parto. Foi aí que chegou aquele santo homem, o anestesista! E tudo o que era dor, virou amor. Mágica! Aí eu conseguia conversar, fazer piadinhas, fiquei feliz da vida! E o mais legal, minha médica chegou!!! Que alegria ver aquele rostinho simpático e especial que nos ajudaria nessa hora tão especial.
O porém da anestesia, é que não senti mais nada, nenhuma contração. Mas, a equipe orienta e fala quando devemos fazer força. E é a força do pensamento mesmo, pois eu não sentia nada. Nessa hora ajuda ter um bom treino de consciência corporal, e isso eu tenho.
E, umas três "forças" depois, às 21:45, veio nossa menina. O sorriso do marido, aquela pessoinha chegando, o alívio da equipe. Tudo se torna claro nesse momento. Ele a acompanhou nos procedimentos enquanto eu fiquei para suturar a episiotomia. Sim, topei fazer esse cortinho, que não mudou em nada a minha vida, mas era para mim uma opção de evitar compicações (falarei mais sobre isso em outro momento).
E foi esse o parto da menina. Forte e decidido, como ela é.
E logo conto como foi o parto do menino.
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